Atleta de MMA superou dificuldades, lesão e o medo para conquistar espaço no principal palco do esporte e agora se prepara para realizar o sonho da estreia no UFC
Aos 23 anos, Samuel Sanches vive um momento que, durante muito tempo, parecia distante. O baiano, que começou a ter contato com o MMA aos 16 anos, atravessou dificuldades, lesões e momentos de dúvida até conquistar uma vaga no UFC.
O momento decisivo aconteceu em 9 de setembro de 2025, quando Samuel participou do Dana White’s Contender Series, programa que funciona como uma das principais portas de entrada para atletas que buscam um contrato com o UFC.
Na ocasião, o baiano venceu por nocaute no primeiro round, em uma atuação que chamou a atenção pela intensidade e pela forma como encerrou o combate. O desempenho foi considerado um dos nocautes mais brutais da organização.
“Quando fui chamado para o Dana White Contender Series, muito jovem, cabeça ainda muito nova, fiquei naquele medo”, relembra.
O medo, porém, não impediu Samuel de fazer aquilo para o qual havia treinado durante anos.
“Você trabalha duro, você só vai fazer o que você treinou.”
Da insegurança à realização de um sonho
A chegada ao UFC representa o resultado de uma trajetória construída com trabalho e perseverança. Samuel conta que enfrentou muitas dificuldades ao longo do caminho, mas escolheu permanecer firme.
“Eu mantive minha fé, acreditei no trabalho do meu mestre, acreditei na minha família, que sempre falavam que era certo, e mantive.”
A rotina para chegar ao alto nível também está longe de ser simples. Os treinos acontecem todos os dias, com uma jornada que começa cedo e termina tarde.
Para Samuel, não existe atalho para alcançar um bom resultado.
“Treinando cedo, saindo tarde, mas para ter um bom resultado a gente tem que trabalhar.”
Foi justamente essa preparação que ele levou para o Contender Series. Diante da dimensão do evento e sabendo que aquela poderia ser a luta que mudaria sua vida, o atleta manteve a concentração.
“Eu sabia a magnitude do evento. Era o divisor de águas da minha vida.”
Respeito ao adversário, seriedade e muito treinamento fizeram parte da preparação. No fim, Samuel colocou em prática tudo o que havia construído nos treinos e garantiu a vitória.
O garoto que evitava brigas
A história de Samuel ganha ainda mais significado quando ele lembra de como era antes de conhecer as artes marciais.
Segundo o atleta, ele sempre foi considerado um garoto tranquilo e chegou a evitar situações de confronto. Criado pela avó, conta que recebeu uma educação baseada no respeito.
“Eu sempre fui medroso. Acho que foi pela criação que eu tive da minha avó. Menino de avó.”
O MMA, entretanto, despertou uma característica que ele já sentia existir dentro de si.
“Eu sempre tive aquele respeito, mas sempre tive a vontade de fazer, aquela vontade de brigar dentro de mim, como se tivesse um leão dentro do meu coração e ele estivesse faminto, pronto para caçar.”
A transformação foi além do aspecto físico. Para Samuel, o esporte mudou completamente sua vida.
“O esporte para mim é tudo. Mudou a minha vida.”
Família e equipe no centro dos sonhos
Apesar de ter como objetivo construir seu nome no MMA e deixar um legado no esporte, Samuel afirma que seus maiores sonhos vão muito além das conquistas individuais.
Ele quer proporcionar uma vida melhor para as pessoas que estiveram ao seu lado desde o início, especialmente sua família e seus mestres.
“Além de deixar meu legado na luta, é poder dar uma vida melhor à minha equipe, os mestres que merecem e, com certeza, à minha família.”
A relação com a família ganhou ainda mais força durante momentos difíceis, como quando sofreu uma lesão no braço.
“Quando eu tive essa lesão no braço, foi minha família que ficou firme comigo. Foi eles que acreditaram, até mesmo mais do que eu.”
Por isso, quando pensa no futuro, Samuel não se imagina conquistando sozinho.
“Eu quero que eles estejam aqui, minha família, minha equipe e eu aqui.”
“Da Bahia para o mundo”
Agora, o próximo passo é a estreia oficial no UFC. Depois de conquistar seu espaço na organização, Samuel sabe que novos desafios virão, mas mantém a mesma combinação que o trouxe até aqui: fé, disciplina e dedicação.
E para quem acompanha sua história e também sonha em chegar ao alto nível no esporte, ele deixa um recado baseado na própria experiência.
“Todo mundo vai chegar com negatividade, isso é normal, faz parte da vida, da caminhada de qualquer pessoa.”
A recomendação é não abandonar o próprio sonho por causa das dúvidas ou da opinião de outras pessoas.
“Mas se você tem um sonho, você pode sonhar, você pode realizar.”
Samuel lembra que também já assistiu a atletas do UFC pela televisão e se perguntou se um dia chegaria àquele lugar.
“Já passei diversas vezes na minha vida vendo caras na televisão, dentro do UFC, e falava assim: ‘Poxa, será que eu vou chegar?’”
Hoje, aos 23 anos, a resposta está dada.
“Estamos aí, né? Chegamos.”
Da Bahia para o mundo, Samuel Sanches agora se prepara para escrever o próximo capítulo da carreira no octógono do UFC.