Ultramaratonista começou a correr aos 44 anos, estreou em uma meia maratona sem experiência e transformou os desafios em combustível para uma trajetória marcada por determinação
Aos 66 anos, Augustinha Lopes não pensa em diminuir o ritmo. Ultramaratonista, ela já encarou um dos maiores desafios de sua trajetória: correr 180 quilômetros sem parar. A distância, que se aproxima dos 200 km, foi resultado de um desafio que ela mesma decidiu enfrentar.
“Eu adoro desafio”, afirma Augustinha, que começou a correr aos 44 anos. E, desde o início, já mostrou que não pretendia começar devagar.
Sua primeira prova foi uma meia maratona. Sem saber exatamente o que esperar de uma corrida de 21 quilômetros, ela participou, conquistou uma medalha e ficou surpresa quando ouviu seu nome ser chamado para o pódio: segundo lugar.
A experiência foi suficiente para despertar ainda mais sua paixão pelo esporte.
Da primeira meia maratona para os grandes desafios
Augustinha conta que ficou encantada quando viu uma maratona pela primeira vez.
“Eu achei lindo, lindo, lindo. Meu Deus, que coisa mais linda!”
O incentivo, porém, nem sempre veio de quem estava ao redor. Segundo ela, pessoas próximas diziam que a maratona era apenas para quem já estivesse muito bem treinado.
A resposta veio na prática.
“Eu digo: eu vou lhe mostrar como eu vou ser. Eu sou capaz de fazer. E fiz mesmo.”
A determinação acabou se tornando uma das principais marcas de sua trajetória.
1.020 pódios
Em anos de competição, Augustinha acumulou um número impressionante de conquistas: 1.020 pódios.
Ela mesma brinca que a quantidade tem uma explicação simples.
“Eu era maluca. Toda corrida que tinha dentro de Salvador eu estava nelas.”
Ganhar ou não ganhar nunca foi o único objetivo. Para Augustinha, estar na largada, correr e dividir aquele momento com outros atletas sempre foi motivo suficiente para participar.
“Que ganhasse ou não, eu queria correr.”
Mais recentemente, ela voltou a subir ao pódio em uma maratona realizada em Aracaju, conquistando o primeiro lugar na categoria.
Cinco ultramaratonas e 180 km sem parar
A experiência nas longas distâncias também levou Augustinha ao universo das ultramaratonas. Ao todo, são cinco ultramaratonas em sua trajetória.
Entre os desafios mais marcantes está justamente o de 180 quilômetros corridos sem parar, uma distância que exige preparo físico e mental para ser completada.
Mesmo com tantas conquistas, ela faz questão de deixar claro que sua motivação não está em competir contra os outros.
“Sem querer ganhar de ninguém, puxar o tapete de ninguém. Eu quero estar na corrida. Quero estar no meio do pessoal.”
Para ela, a sensação de realização vem justamente da possibilidade de continuar fazendo aquilo que ama.
“Eu me sinto muito feliz, me sinto realizada.”
Corrida como parte da vida
A rotina de Augustinha também mostra que a longevidade esportiva não acontece por acaso. Atualmente, ela mantém uma combinação de corrida e musculação: são três dias dedicados à corrida e outros três à academia.
Aos 66 anos, o treinamento continua firme, assim como a disposição para novos desafios.
E se alguém que está começando pede um conselho, ela faz uma ressalva: sua própria história não é exatamente o exemplo mais convencional. Afinal, ela mesma começou diretamente nos 21 quilômetros.
Para quem está dando os primeiros passos, a recomendação é começar de forma gradual, com distâncias menores, como 3 ou 5 quilômetros, e evoluir aos poucos.
Mas existe um momento que pode mudar tudo: o primeiro pódio.
“Chegou ao primeiro pódio, minha filha, aí pronto. É uma cachaça.”
A frase resume a relação de Augustinha com a corrida. Aos 66 anos, depois de 1.020 pódios, cinco ultramaratonas e 180 quilômetros sem parar, ela ainda não pensa em pendurar o tênis.
“Não pretendo parar tão cedo.”